Um olhar interior...

Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

 

 

Tempo de Poesia

 

"Todo o tempo é de poesia
Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia
Todo o tempo é de poesia
Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas qu'a amar se consagram.
Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.
Todo o tempo é de poesia.
Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia."


António Gedeão, in Movimento Perpétuo

publicado por AIMSF às 10:55
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

 

 

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,

 

E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.

Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,

 

E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.

Amar é pensar.

 

 

E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.

Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.

Tenho uma grande distração animada.

 

Quando desejo encontrá-la

 

Quase que prefiro não a encontrar,

Para não ter que a deixar depois.

Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.

Quero só Pensar nela.

 

 

Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.    

 

 Alberto Caeiro- heterónimo de Fernando Pessoa

 

publicado por AIMSF às 10:17
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Amemos!

POR QUE TARDAS, meu anjo! oh! vem comigo.
Serei teu, serás minha... É um doce abrigo
A tenda dos amores!
Longe a tormenta agita as penedias...
Aqui, ao som de errantes harmonias,
Se adormece entre flores.

 

Quando a chuva atravessa o peregrino,
Quando a rajada a galopar sem tino
Açoita-lhe na face,
E em meio à noite, em cima dos rochedos,
Rasga-se o coração, ferem-se os dedos,
E a dor cresce e renasce...

 

A porta dos amores entreaberta
É a cabana erguida em plaga incerta,
Que ampara do tufão...
O lábio apaixonado é um lar em chamas
E os cabelos, rolando em espadanas,
São mantos de paixão. 

 

Oh! amar é viver... Deste amor santo
— Taça de risos, beijos e de prantos
Longos sorvos beber...
No mesmo leito adormecer cantando...
Num longo beijo despertar sonhando...
Num abraço morrer.

 

Oh! amar é ser Deus!... Olhar ufano
O céu azul, os astros, o oceano
E dizer-lhes: "Sois meus!"
Fazer que o mundo se transforme em lira,
Dizer ao tempo: "Não... Tu és mentira,
Espera que eu sou Deus!"

 

Amemos! pois. Se sofres terei prantos,
Que hão de rolar por terra tantos, tantos,
Como chora um irmão.
Hei de enxugar teus olhos com meus beijos,
Escutarás os doces rumorejes
D'ave do coração.

 

Depois... hei de encostar-te no meu peito,
Velar por ti — dormida sobre o leito —
Bem como a luz no altar.

 

Te embalarei com uma canção sentida,
Que minha mãe cantava enternecida
Quando ia me embalar.

 

Amemos, pois! P'ra ti eu tenho nalma
Beijos, prantos, sorrisos, cantos, palmas...
Um abismo de amor...
Sorriso de uma irmã, prantos maternos,
Beijos de amante, cânticos eternos,
E as palmas do cantor!

 

Ah! fora belo unidos em segredo,
Juntos, bem juntos... trêmulos de medo,
De quem entra no céu,
Desmanchar teus cabelos delirante,
Beijar teu colo!... Oh! vamos minha amante,
Abre-me o seio teu.

 

Eu quero teu olhar de áureos fulgores,
Ver desmaiar na febre dos amores,
Fitos fitos... em mim.
Eu quero ver teu peito intumescido,
Ao sopro da volúpia arfar erguido
O oceano de cetim

 

Não tardes tanto assim... Esquece tudo...
Amemos, porque amar é um santo escudo,
Amar é não sofrer.
Eu não posso ser de outra... Tu és minha,
Almas que Deus uniu na balça edênea
Hão de unidas viver.

 

Meu Deus!... Só eu compreendo as harmonias,
De tua alma sublime as melodias
Que tens no coração.
Vem! Serei teu poeta, teu amante...
Vamos sonhar no leito delirante
No templo da paixão.

Castro Alves

publicado por AIMSF às 15:18
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Ausência

 

 

Eu deixarei que morra
em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
 

Vinicius de Moraes

 

 

publicado por AIMSF às 16:08
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

 

Amar

Amar
Amar

Quero amar
quero amar-te
amar-te sem te prender
Mas tenho medo ainda tenho medo
medo de te perder
Era assim que pensava
era isso que te queria dizer
Mas não te o disse
não te o disse porque achava
que era incorrecto
que faltava
algo
que ainda tinha de entender

Mas agora
agora que um pouco mais sei do que sabia
Agora que sei que no amor há muita alegria
Agora
Agora podes estar com quem estiveres
podes estar onde estiveres
Que de amar eu não te deixo
Amar é ser amor amor a dar-se
Não não é ter
Não é ter algo para amar
Amar é ser amor
Amor a amar

E se por "amar" acaso sofro
é porque o meu amor ainda é pouco
É porque eu também sou pouco
Mas como pode o puro Amor ser pouco

E como posso Eu ser pouco

 

Anónimo

publicado por AIMSF às 11:40
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Amar

 

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?


Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de
amor, ou simples ânsia?


Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração
expectante, e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão de
ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de
rapina.Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas
pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na
concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.


Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água
implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


Carlos Drummond de Andrade

publicado por AIMSF às 10:43
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

 

 

 

Fuego contra Fuego

 

 

Sin querer me he vuelto a enamorar
No será que siempre ocurre a mi edad
Fue un amor relámpago
Que me acercó a ti.

Eres mi principio, mi final
El infierno, el cielo y todo lo demás
Con un beso tímido
Te di mi corazón.

Fuego contra fuego es amar
Fuego del que no puedo escapar
Donde nadie oye mi voz
Allí te espero yo.

Fuego contra fuego es amar
Y no lo podemos evitar
No le busco explicación
Lo nuestro es puro amor.

Sin querer me he vuelto a enamorar
No será que siempre ocurre a mi edad
Con un beso tímido
Te di mi corazón
 

Ricky Martin

publicado por AIMSF às 11:39
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Por Ti

Por Ti, deixei minha liberdade

Por Ti, esqueci a saudade

Por Ti, abraçei teu coração

Por Ti, disse não à solidão

Por Ti, voltei a amar

Por Ti,deixei de calar

Por Ti, deixei o sofrimento

Por Ti, dei meu pensamento

Por Ti, me apaixonei

por Ti, jamais renunciei

Por Ti, quis ir mais além

Por Ti, tudo é um vai e vem

Por Ti ,conquistei um novo mundo

Por Ti, saí do fundo

Por Ti, dormi e acordei feliz

Por Ti, sou o que fiz

Por Ti, aqueci as noites frias

Por Ti, decorei todos os dias

Por Ti, espalhei sorrisos

Por Ti, criei novos  juízos

Por Ti, conheci novas emoções

Por Ti, deixei novas paixões

Por Ti, cometi tantas loucuras

Por Ti, guardei todas as doçuras

Por Ti, nunca perdi a esperança

Por Ti, brinquei como criança

Por Ti, por Ti, por Ti.

 

O mundo sem Ti não é redondo, nem verde nem azul

O mundo sem Ti é uma sombra no espaço

O mundo sem Ti não é nada

 

Por TI ,o mundo volta a girar

Por Ti, o mundo volta a ter vida

Por Ti, mundo é só nosso

Por Ti estou aqui.

 

Escrevi este poema para dedicar ao  meu Mais-que-Tudo

Com Muito Amor!!!

 

Ana Fernandes- Aimsf

publicado por AIMSF às 16:57
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