Um olhar interior...

Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

 

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

 

Vinícius de Moraes

publicado por AIMSF às 15:15
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

 

O escorpião negro procurou, procurou e não desistiu de procurar… Como era activo e astuto, já tinha encontrado cem diamantes, seiscentas esmeraldas, trezentas safiras e um número sem-conta de rubis. A meio do caminho, por causa da fadiga, assaltou-o um mau pensamento:
“Tanto trabalho! E para receber o quê? Um simples diamantezito, um quarto de unha de rubi, uma magra esmeralda, uma safira de nada? Mas, se eu guardar as pedras melhores para mim, serei o animal mais rico e poderoso da Terra! E talvez Deus passe a olhar- -nos, a nós, escorpiões, com tanto respeito como aos homens.”
E com o aguilhão, enterrou profundamente na areia, num esconderijo ultra-secreto, as pedras preciosas mais belas.
Entretanto, o escorpião amarelo arrastava entre as patas o seu magro tesouro: três rubis, cinco diamantes, sete safiras, um pouco de ouro raspado de uma pedra. A colheita era escassa porque ele tinha passado muito tempo a bronzear-se ao sol e, principalmente, a conversar com a raposa do deserto e com todos os habitantes do deserto que por lá encontrou, para enganar a solidão.
Chegada a hora de prestar contas, Deus chamou à sua presença os dois escorpiões. O escorpião negro só entregou seis pedras. Eram pequeninas, insignificantes e imperfeitas.
– Não encontrei mais nada, meu Senhor – mentiu o escorpião negro. – O meu irmão amarelo andou demasiado depressa! Apanhou tudo antes de mim!
Ao dizer aquilo, os olhos ficaram vermelhos e flamejantes como rubis, sinal de mentira e de hipocrisia.
Deus respondeu-lhe calmamente:
– Mentes! Guardaste todo o tesouro para ti! O que fizeste está mal. Primeiro, porque mentiste. Depois, e acima de tudo, porque roubaste a riqueza dos homens. E por isso serás amaldiçoado! Quando vires um homem ou um animal, terás uma irresistível vontade de o picar com o teu aguilhão e, se o fizeres, matá-lo-ás.
Deus virou-se em seguida para o escorpião amarelo:
– Quanto a ti, foste preguiçoso, passaste o tempo a enganar a solidão. É preciso ter-se coragem e saber-se suportar a fadiga e o isolamento, para se encontrar tesouros. O teu aguilhão também picará, mas só provocará febre durante três dias e três noites.
A partir daquele dia, quando as pessoas vêem um escorpião negro, esmagam-no por causa do medo que lhes inspira. Mas, quando vêem um escorpião amarelo, sabem que este não faz mal, e não o incomodam. Afastam-se dele, mas deixam-no em paz.

Sophie Carquain
Petites histoires pour devenir grand

 

publicado por AIMSF às 15:45
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Sábado, 25 de Abril de 2009

 

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

publicado por AIMSF às 14:50
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