Um olhar interior...

Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

You are welcome to elsinore


Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso querer falar.

 

 

Mário Cesariny
 

 

publicado por AIMSF às 14:20
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009


 

Vá!

Procure de uma vez o seu destino,

Acabe de uma vez com o desatino,

Acabe de uma vez com meu tormento

Liberta-me de tanto sofrimento,

Liberta-me de uma vez desta ilusão...

 

Vá!

E deixe-me no abandono da saudade,

Vejamos de uma vez a realidade,

Que se tornou a nossa união...

 

Vá!

Prometo-lhe não vou seguir teus passos,

Nem vou lhe implorar um último abraço,

Vou recolher-me no descanso da solidão...

 

Vá!

Mas vá com a certeza de não ter arrependimento,

Procure não lembrar-me com lamentos,

Procure não pensar em ter perdão.

 

 

Gutemberg Landi

 

publicado por AIMSF às 15:11
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009


As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma  regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

                      Eugénio de Andrade

 

publicado por AIMSF às 10:07
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